Philip Kotler, Chicago 1931, considerado o maior especialista em Marketing, tem uma trajetória incrível, com destaque em consultoria nas áreas de planeamento estratégico, marketing internacional e estratégias para grandes empresas como a IBM, Motorola e Bank of America.
A influência de Philip Kotler para o marketing no mundo todo foi tão grande que as suas ideias são ainda hoje muito utilizadas.
Conceitos como os 4 P’s do marketing são extremamente atuais e ajudam milhares de negócios a estruturar as suas estratégias de marketing tanto no online como no offline.
Kotler defendeu a ideia de que o foco das empresas deveria estar mais centrado na satisfação dos clientes e nos benefícios do produto do que na sua distribuição ou no preço em si. Com esta abordagem, novas estratégias de Marketing foram criadas e novas formas de aproximação ao consumidor foram desenvolvidas por gestores de marketing.
Afinal, porquê o Marketing 6.0?
Primeiro, um conceito segundo Kotler: o Marketing 6.0 procura diminuir a fronteira entre interações físicas e digitais, e assim, transportar mais do marketing digital para a vida real, e mais da vida real para o marketing digital. É isso que Kotler chama de Marketing Imersivo, sinónimo do Marketing 6.0.
As mudanças no Marketing (a numeração é proposta pelo próprio Kotler) estão mais relacionadas com a forma como as marcas encaram o marketing e o desenvolvimento de produtos/serviços, e não necessariamente com as ferramentas em si. A título de exemplo, a televisão está inserida como uma ferramenta de marketing desde o Marketing 3.0. e nos dias de hoje ainda é bastante usada, sendo uma das formas mais garantidas de lançar um produto e de alcançar o consumidor — a troco de um investimento bem alto.
Esquematizamos aqui as principais características de cada era:
- Marketing 1.0: Focava-se na qualidade do produto. Quem tivesse o melhor produto e distribuição conseguia destacar-se no mercado.
- Marketing 2.0: Após o aumento da concorrência pós-Segunda Guerra Mundial, a qualidade e distribuição tornaram-se comuns. O foco passou para a definição de públicos-alvo e estratégias para conquistar os clientes certos.
- Marketing 3.0: Surgiu nos anos 50 com a individualização. Em vez de segmentar por demografia, passou a focar-se no cliente individual. Nessa época, o copywriting deixou de ser uma técnica e tornou-se o padrão nos anúncios.
- Marketing 4.0: Foi a era da massificação com a transição para o digital. Estratégias como o Inbound Marketing ganharam destaque.
- Marketing 5.0: Retomou a individualização, mas agora com o uso intensivo de dados. A abundância de informações permite campanhas altamente personalizadas, como o ABM (Account Based Marketing) no marketing Business to Business (B2B). O conteúdo tornou-se central, com foco na conversão de leads, muitas vezes sem a necessidade de uma venda direta.
O Marketing 6.0 representa uma evolução estratégica que alia a inovação tecnológica à humanização das marcas. Neste sentido, a tecnologia não é apenas uma ferramenta operacional, mas um elemento central para criar experiências personalizadas, autênticas e de alto impacto.
Basicamente, o Marketing 6.0 propõe às empresas e respetivas marcas uma forma de conjugar a experiência com os diversos ambientes, potenciada pelas tecnologias disponíveis, numa equação que integra estrategicamente três camadas – The Enabler (facilitadores tecnológicos), The Environment (ambientes), The Experiencie (experiências).
Elementos base do marketing 6.0
Os facilitadores tecnológicos, tem como objetivo combinar experiências físicas com experiências digitais, onde se destacam: Internet of Things (Internet das coisas), IA (Inteligência Artificial), Blockchain, Computação Espacial e as interfaces imersivas Realidade Virtual (RV) e Realidade Aumentada (RA). Estas tecnologias são essenciais para suportar outra estratégia em dois ambientes distintos; metaversos (mundos virtuais que replicam o mundo real) e realidades alternativas (espaços físicos melhorados digitalmente)
Por fim, as tecnologias e os ambientes suportam a experiência direcionada ao cliente, caracterizada pelo envolvimento multissensorial, capaz de despertar os 5 sentidos dos consumidores; as experiências digitais espaciais 3D, que revolucionam a interação de objetos físicos com comportamentos humanos; e o marketing dentro dos mundos virtuais/metaverso, que podem ser considerados como oportunidades de diversão, espaços de interação com outros públicos, uma forma imersiva de comércio eletrónico, ou uma plataforma para os criadores de conteúdos divulgarem as suas criações digitais. Ao compreender as necessidades do público no universo metaverso, as marcas podem criar experiências otimizadas, com base na experimentação e exploração de forma a descobrirem o modelo de implementação mais eficaz.
Alguns exemplos da integração tecnológica no marketing:
Através de realidade mista (combinação de RV e RA) foi possível desenvolver o anúncio do Burrito Gigante da Chipotle, transmitido em direto durante o intervalo do jogo no playoff da NHL USA (National Hockey League), integrando a sobreposição do conteúdo digital com a vida real.
Veja aqui no YouTube: Chipotle Mixed Reality
A Gillette, da P&G, realizou uma ação similar no Gillette Stadium, com a transmissão do evento em direto, o público conseguiu ver uma enorme lâmina de barbear virtual a surgir no meio do campo.
Veja aqui no YouTube: GilletteLabs: Stadium Takeover | Mixed Reality Activation
Os metaversos têm potencial para atrair públicos como a geração Z e Alfa. Para estas gerações os metaversos podem apresentar vários significados: oportunidades de diversão, interação social, comércio eletrónico imersivo, ou oportunidades para criadores de conteúdos rentabilizarem as suas criações digitais. Para explorar esse universo, as marcas devem compreender as necessidades do público e criar experiências otimizadas, como itens colecionáveis, publicidade experiencial, integração harmoniosa do comércio online-offline e programas de fidelização gamificados.